VAN DYKE EM TRÊS TEMPOS

26-May-2015

(Antoon Van Dyke - Self-portrait, 1613–14)

 

Já falamos aqui sobre o Cianótipo e agora falaremos do surgimento do Marrom Van Dyke, mas para isso, vamos dividir em 3 momentos.

 

Tudo começou com Sir John Herschel, em 1842, quando ele descobriu o Argentotype, onde ele usava o mesmo citrato férrico amoniacal usado no cianótipo, junto com o Nitrato de Prata, que já era um velho conhecido em várias pesquisas acerca de materiais fotossensíveis.

 

Por conta da adição da prata, que é muito mais sensível à luz que o ferro, o processo ganhou velocidade e um tom marrom avermelhado.

 

Apesar de ter sido inventada por Herschel, como ele faleceu em 1871, quem acabou fazendo pequenos ajustes na fórmula e patenteando foi o estúdio fotográfico Arndt & Troost em 1889, nessa época o processo era chamado Brownprint ou Sepiaprint. Só que eles tiveram um pequeno problema de “timing”, pois nessa época já havia sido lançado o gaslight paper, um papel fotográfico já emulsionado de fábrica, que foi comercializado em larga escala e permitia cópias por contato sob baixa luz (daí o nome gaslight). Devido a esse "atraso", o van dyke não foi um grande sucesso comercial. O Herschel provavelmente não teria ficado muito chateado, já que o maior interesse dele era mesmo científico. Já o estúdio, realmente nao sei dizer, mas imagino que sim…

 

(Foto de Patricia Boechat)

 

O processo só começou a ser chamado de Van Dyke num terceiro momento, uns 40 anos depois de patenteado, quando alguém observou que o marrom nas imagens era muito parecido com a tinta utilizada pelo pintor flamenco do século XVII Antoon Van Dyck (ou Anthony Van Dyke, como preferir - o rapazinho da primeira foto). Ninguém sabe ao certo quem ou quando isso aconteceu, mas foi assim que o processo ficou popularmente conhecido até hoje.

Uma curiosidade é que pra chegarmos a um outro processo, conhecido como Kallitype, basta fazer uma pequena alteração na fórmula: ao invés de usar citrato férrico, usa-se oxalato férrico.

 

O modo de fazer do Van Dyke é bastante similar ao cianótipo, mas enquanto este último usa duas soluções (citrato férrico amoniacal e ferricianeto de potássio) e sua revelação e fixação é feita com água, no Van Dyke são utilizadas 3 soluções (citrato férrico amoniacal, nitrato de prata e ácido oxálico) além de precisar do fixador genericamente conhecido como Hypo, o Tiossulfato de Sódio (que por acaso também foi descoberto por Herschel e é comumente usado até hoje em fotografia).

 

Num outro post, as fórmulas e modo de fazer.

 

E para ver mais imagens, clique em nossa GALERIA para ver os trabalhos realizados durante as oficinas.

Aqui tem o post sobre outro processo, o Cianótipo.

E AQUI informações sobre o próximo Ciclo de Oficinas no Lab Clube.

 

(imagens realizadas durante oficina de Van Dyke no Lab Clube)

 

 

 

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