Surgimento da Goma Bicromatada

Já falamos sobre a história do Cianótipo, do Van Dyke e do Papel Salgado.

Agora vamos falar um pouquinho sobre o surgimento da Goma Bicromatada. (veja mais imagens AQUI)

Como esse é um processo bastante complexo, vamos fazer uma série de 4 posts, detalhando tudo: este aqui sobre a HISTÓRIA e depois virá o NEGATIVO, a QUÍMICA e a CÓPIA (parafraseando Ansel Adams).

Goma Bicromatada - Fernanda Antoun

Goma Bicromatada - Fernanda Antoun

A goma é um dos processos mais legais, (na minha humilde opinião), porque te permite produzir imagens coloridas utilizando pigmentos diversos como aquarela, por exemplo.

A primeira descoberta importante que resultou no invento da Goma Bicromatada foi feita em 1839 pelo escocês Mungo Ponton, que percebeu a fotossensibilidade dos dicromatos. Em 1854, Fox Talbot começou a investigar a possibilidade do dicromato endurecer gelatina ao ser exposta a luz UV.

O interessante foi que em 1856 um patrono das artes chamado Honore d'Albert, o Duc de Luynes, ofereceu um prêmio na incrível soma de 100mil Francos para aquele que conseguisse criar, descrever e provar um processo de formação de imagem que fosse permanente. Quem ganhou o prêmio foi Louis Alphonse Poitevin com dois processos: Carbon Print e Colótipo (não confundir com o cAlótipo, criado por Talbot). O Carbon Print e o Colótipo, apesar de serem diferentes entre si, tem a mesma base da goma bicromatada: dicromato + colódios + luz UV.

Inventores da Goma Bicromatada

Mas aparentemente foi John Pouncy que, em 1858, pegou todo esse conhecimento, misturou com pigmentos e criou o que chamamos hoje de Goma Bicromatada.

Esse processo foi muito utilizado pelos fotógrafos/artistas do movimento Pictorialista do final do século XIX e início do Séc XX, como Edward Steichen, Gertrude Kasebier, Clarence White e Alfred Stieglitz, pois pelo uso dos pigmentos eles conseguiam criar fotografias que remetiam ao visual de pinturas.

Edward Steichen - The Flatiron - 1904

Edward Steichen - The Flatiron - 1904

A Goma Bicromatada é um pouco diferente dos demais processos históricos em que a própria química muda de cor ao contato com a luz uv. Neste caso, a Goma em si não tem cor nenhuma, mas quando misturada ao dicromato e exposta a luz, endurece e fixa qualquer outro elemento misturada a ela.

Ou seja, o pigmento misturado a goma é quem determina a cor da imagem. Por esse motivo a goma bicromatada pode ser feita de qualquer cor.

A questão dos pigmentos (não só os tipos, mas também as cores) é uma longa discussão que não trataremos aqui nesse post, mas o mais indicado são as aquarelas de bisnaga e é o que utilizamos aqui nas nossas produções e oficinas.

Bom, mais recentemente, com a ajudinha do digital, se tornou possível facilmente dividir os canais específicos de cada cor e, por adição, recriar uma imagem colorida utilizando as 3 cores primárias - CIANO / MAGENTA / AMARELO! E aí chegamos ao processo que ficou conhecido como Goma Bicromatada em Tricromia (ou em 3 cores).

Goma Bicromatada em 3 cores - Marilia Bianchini

Goma Bicromatada em 3 cores - Marilia Bianchini