Cianotipia com Van Dyke: Como fazer? Descubra agora!

5-Mar-2018

Na semana passada postamos na nossa página do Facebook um álbum de imagens com o cruzamento técnico e artístico entre vários processos fotográficos alternativos, produzido durante o Lab-Imersão.

 

Esse álbum gerou muita curiosidade, várias pessoas vieram nos perguntar como fazer em casa... Então resolvemos escrever esse tutorial.

 

Como dissemos lá no facebook, se engana feio aquele que pensa que esse exercício está baseado na aleatoriedade, descontrole, gratuidade e afins. Não! Entender e manejar um Processo Fotográfico a partir das perspectivas técnicas de um outro Processo Fotográfico Alternativo, é mais do que um cruzamento de fronteiras: é a busca por um transbordamento de fronteiras!

 

Faz expandir o entendimento sobre cada químico, soluções, modos de fazer.. e sim, também exercita o surpreendente, o lúdico, provocando inquietações estéticas e artísticas! Experimentar o experimental!

 

Vários processos podem ser utilizados em conjunto, mas vamos tratar no momento apenas da interação entre o Cianótipo e o Marrom Van Dyke, que talvez por serem dois Processos bem conhecidos, e ao mesmo tempo um cruzamento técnico difícil de dar bons resultados (e detalhe, você já vai entender o porquê dessas dificuldades), foi justamente o que gerou mais curiosidade.

 

 

 Claudia Elias

 

Antes de tudo, você tem que aprender a fazer os processos separadamente. Pode ver os nossos tutoriais de como fazer cianotipia AQUI e como fazer Marrom Van Dyke AQUI e sim, se aventurar em uma experiência sozinho em sua casa. Nós também disponibilizamos os Kits de químicos prontos em nossa lojinha CIANO / VAN DYKE, eles acompanham manual prático de uso e você ainda poderá contar com o suporte técnico do Lab caso tenha alguma grande dificuldade.

 

Agora vamos aos procedimentos:  

 

PRIMEIRO DETALHE (e mais importante!)

Sempre faça o cianótipo ANTES do Van Dyke. Isso porque o Ferricianeto de Potássio presente no cianótipo é redutor do Nitrato de Prata presente no Van Dyke. Resultado: Se você aplicar a solução de cianótipo sobre um Van Dyke já exposto, a imagem anterior vai ser completamente apagada. Então: Cianótipo primeiro, Van Dyke depois. Ou seja, e mais uma vez e em outras palavras pra deixar bem-bem claro: primeiro vc fará um cianótipo e somente depois dele completamente pronto (exposto, lavado e seco) você aplicará a química do Van Dyke sobre ele. 

 

SEGUNDO DETALHE

O ideal é usar um cianótipo muito bem exposto. Azulão mesmo! Você pode conseguir esse resultado de 3 formas:

- Errando a exposição para mais, ou seja, superexpondo o cianótipo
- Aumentando a concentração das soluções A e B
- Aumentando a quantidade de químico durante o emulsionamento

 

TERCEIRO DETALHE

Com o seu cianótipo já pronto (exposto, lavado e seco), você vai aplicar a solução do Van Dyke. Maaaas, você deve diluir a solução do van dyke pela metade. Assim, ó: Prepare sua solução fotossensivel do van dyke (a+b+c) normalmente. Ai pegue, por exemplo, 10ml dessa solução já misturada e acrescente mais 10ml de água.  Essa diluição é um bom começo, mas você pode testar outras diluições também. É importante que a solução esteja diluída para que as químicas não entrem tanto em conflito. Mesmo aplicando na ordem correta (Ciano primeiro, Van Dyke depois), a imagem gerada pelo cianótipo também sofrerá a abrasividade química do Van Dyke.

 

QUARTO DETALHE

É importante entender e ter em mente que a interação entre Cianotipia e Van Dyke não tende a gerar exatamente uma sobreposição de imagens, mas sim, uma superposição de imagens. Ou seja, trata-se de uma interação química conflituosa, corrosiva, onde a presença de uma química tende a apagar, dissolver, a imagem gerada pela outra solução química. Por isso você deve seguir essa ordem de fazer o cianótipo primeiro (administrando o efeito redutor do ferricianeto sobre o nitrato de prata); e deve na sequencia diluir o Van Dyke (administrando sua corrosão).

Por isso também, ah sim, agora vem o DETALHE, sugerimos que você opte por um Emulsionamento Seletivo, ou seja, não aplicar o Van Dyke sobre toda a imagem do cianótipo. Ainda que tudo na ordem correta, ainda que o Van Dyke diluído, as químicas sempre terão uma relação conflituosa, e é justamente essa característica que você deve explorar artisticamente. O emulsionamento seletivo pode ser feito tanto com o pincel, aplicando apenas em algumas partes, como também utilizando algum outro artefato, como borrifador, esponja... Seja criativo!

 

E sim, claro, depois de aplicar seletivamente a emulsão diluída do Van Dyke, você deve esperar secar, depois de seco expor, lavar e fixar. Ou seja, executar o Van Dyke seguindo todas as etapas e com os mesmos cuidados de como estivessem fazendo apenas esse processo sozinho.

 

QUINTO DETALHE

Você pode usar o mesmo negativo, fazendo um casamento certinho das 2 imagens, o mesmo negativo deslocado mais pra direita ou pra esquerda, invertido, mais pra cima ou pra baixo, ou usar qualquer outro negativo que ache que componha bem com a primeira imagem gerada pelo cianótipo.

 

E pronto, somando todos esses DETALHES, você terá uma imagem fruto da interação técnica e artística da combinação entre Cianotipia e Marrom Van Dyke. Além de compreender mais e melhor cada um deles separadamente, pode apostar nisso! ;)

E tenha em mente que apesar de todos os DETALHES que te levarão a controlar e a tornar possível esse cruzamento técnico, o resultado final sempre trará surpresas fruto da experimentalidade inerente desse ato de combinar Processos, sempre haverá uma margem de imprevisibilidade a ser absorvida no resultado final!

 

Faça em casa e mostre pra gente como ficou, nos conte como foi sua experiência!

Veja abaixo uma seleção de imagens utilizando esse procedimento pra te inspirar e te motivar a começar agora mesmo! Vamos lá, mãos na imagem!

 

 

 Mireille Pic

 Adriana Ferreira

 Edson Freitas

 

 Daniel Fama

 Debora Flor

 Edson Freitas

 Lainha Loiola

 Claudia Elias

 Fabio Duarte

 Mona Luizon

 

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