Hercules Florence, Herschel e a criação do termo fotografia

Antoine Hercule Romuald Florence nasceu em 29 de fevereiro de 1804 na França, mas viveu mais de 50, dos seus 75 anos em Campinas - SP.


Já que mencionamos algumas vezes no Blog do Lab Clube sobre inventores não totalmente reconhecidos na história da fotografia, vale fazer um adendo e contar que o Brasil, nosso Brasil brasileiro, também tem um pezinho nessa história. Segue o fio.

John Herschel criou todo o processo da cianotipia em 1842, depois de pesquisar com afinco e dedicar anos dos seus estudos ao desenvolvimento de pigmentos para impressão e reprodução de imagens, entre outras razões, por conta do seu interesse em botânica. Apesar da febre fotográfica que estava rolando naquele período, apenas poucos anos após a estreia a nível mundial do daguerreótipo, a motivação de Herschel ao desenvolver novos métodos vinha do cientista que ele era, não da possibilidade de ganhos financeiros desses processos fotográficos.

Uma característica que prova a zero motivação financeira é a sua gentil colaboração com outros estudiosos, como o próprio Daguerre, e William Talbot, inventor do método que atualmente chamamos de papel salgado. Uma das suas bolas dentro nesse sentido foi a descoberta do hipossulfito de sódio — um fixador fotográfico — logo comunicada aos colegas, que andavam com problemas para fixar suas imagem (é a mesma substância usada até hoje na fotografia P&B, mas agora sob a nomenclatura tiossulfato de sódio). Ele parecia, de fato, motivado pela descoberta em si, pelo invento, pela ciência. Não pela grana. Tanto que não reivindicou patente de nenhum dos seus processos ligados à fotografia.

Aliás, outra contribuição importante de Herschel foi a própria criação do termo fotografia. Até então, existia o conceito do que é uma fotografia, mas não havia ainda um vocábulo definitivo para este conjunto de ações e seus resultados. Cada inventor que criasse um novo método inventava também um nome independente para a sua criação. Herschel foi o primeiro a cunhar um termo na Europa que sintetizasse um elemento comum a todas essas técnicas — photography. O que não se sabia, naquele momento, é que havia um homem que já tinha usado essa expressão antes — no Brasil! E que, um dia, um historiador provaria que Herschel não foi o primeiro a usar esse termo.

Em 1832, seis anos depois da invenção de Niépce, porém três anos antes da invenção de Daguerre, o francês Antoine Hercule Romuald Florence havia conseguido imprimir imagens a partir de um processo fotossensível, com papéis embebidos em nitrato de prata. Ele era desenhista e inventor e vivia no Brasil — mais precisamente entre 1824 e 1879, ano em que morreu — na região hoje conhecida como Campinas, no Estado de São Paulo. Considerado um dos estrangeiros mais notáveis que já se estabeleceram no país, a Florence é creditada a autoria do mais antigo registro fotográfico feito nas Américas.

Florence batizou seu processo com o nitrato de prata de photographie, em 1834. Portanto, antes de Herschel. Mas ele obteve esse reconhecimento muito, muito mais tarde. O fato só foi comprovado em 1976, pelo historiador Boris Kossoy, em seu livro “A descoberta isolada da fotografia no Brasil”.

E se você ficou curiosa e quer saber mais sobre essa história, já publicamos um post explicando tudinho aqui: https://www.labclube.com/single-post/2018/01/08/a-inven-c3-a7-c3-a3o-da-fotografia-no-brasil-hercules-florence

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