John Herschel: Brilho Eterno de uma Mente sem Patentes

Como já vimos antes, a Cianotipia foi inventada pelo matemático e astrônomo inglês John William Herschel, no ano de 1842. Nessa época, as pessoas estavam se acostumando, pouco a pouco, com os avanços da tecnologia. Produtos que antes saíam exclusivamente das mãos do homem passaram a ser feitos por máquinas o que aumentava os ganhos porque alguns países da Europa tinham acabado de vivenciar o período que hoje conhecemos como Revolução Industrial.

Foi um tempo de grandes evoluções. Um sem-número de pessoas entre cientistas, comerciantes, pesquisadores e inventores fervilhava em busca da melhor maneira de alcançar mais dinheiro e prestígio social ou acadêmico, gastando menos tempo e material possível e com a logística facilitada através de máquinas e aparatos mecânicos. Nesse pique, uma das mais importantes invenções do século teve seu início em 1826, pelas mãos do francês Joseph Nicéphore Niépce: a fotografia.

Como já vimos em artigos anteriores, a invenção de Niépce atraiu um empresário chamado Daguerre, e para ele, depois de um tempo e vários experimentos, ficou evidente o potencial de ganhos dessa arte de, digamos, imprimir o momento. Graças a Daguerre, começou uma febre da fotografia no mundo, então muitos outros inventores, pesquisadores e afins também enxergaram nisso uma possibilidade real de ganho financeiro, além da projeção na sociedade, e cada qual tentava suplantar as tecnologias até então disponíveis.

Mas não era esse o caso de Herschel. Ele vinha de uma família de cientistas e a sua motivação principal não era financeira. Ele era astrônomo, filho de astrônomo, sobrinho de astrônoma. Seu pai, William Herschel, ficou conhecido por descobrir a existência do planeta Urano e da radiação infravermelha, e deixou 24 sinfonias, pois também era compositor. Sua tia, Caroline Herschel, foi uma grande colaboradora do pai. Enquanto era sua assistente, pleiteou por um salário e foi atendida, sendo a primeira mulher a ser paga por sua colaboração com a ciência pelo Estado.

John Herschel, como se pode ver, tinha desde o berço a curiosidade pela ciência e a ela dedicou toda a sua vida. Ele nomeou luas de Saturno e Urano e fez uma grande pesquisa em torno dos raios ultravioleta. Se interessou não só pela astronomia, como também pela matemática, pelo estudo da luz, pela astrofísica e pela botânica, que estudava na companhia de sua cremosa, Margareth Stewart. Juntos, eles fizeram um grande levantamento da flora, principalmente através de uma diligência na África do Sul, que deu origem a um livro de botânica chamado Flora Herscheliana. Esse livro foi referência, inclusive, para um nome muito conhecido na ciência biológica e estudo das espécies: Charles Darwin.

Foi por conta dos seus conhecimentos em botânica que Herschel, uma das mentes mais brilhantes do século 19, começou a pesquisar a fotossensibilidade dos vegetais. Essa análise resultou em um processo fotográfico que ele chamou de Antotipia (“flor”, do grego anthos). No método, ele utilizava o sumo triturado de qualquer vegetal, flor, planta ou fruta sensível à luz para criar pigmentos para imagens coloridas, e a dificuldade, nesse caso, era fazer com que cada cor ficasse no lugar correto. Ele obtinha, sim, imagens coloridas, que iam além da escala de cinza; porém, monocromáticas.

A antotipia foi praticamente esquecida pela história da fotografia, por não se enquadrar aos propósitos científicos e tecnológicos da época, menos ainda aos comerciais. O processo é extremamente lento, com longo tempo de exposição ao sol, e tem um problema de fixação da imagem que, além de sutil, é efêmera, pois se desgasta facilmente em contato com a luz. Mas Herschel tinha algumas outras pesquisas relativas à fotossensibilidade como um dos pilares da impressão de imagens. Ele descobriu também esse elemento presente no ouro e na platina. Não criou processos fotográficos imediatamente, mas sua pesquisa permitiu que fossem desenvolvidos mais tarde (a platinotipia, impressão com sais de platina, e a crisotipia, impressão com sais de ouro). Outro processo criado por Herschel foi o Marrom Van Dyke, um meio irmão do cianótipo.

E para além desses processos fotográficos, Herschel colaborou bastante com outros pesquisadores da época e sua contribuição perdura até hoje: Foi ele que sugeriu a Talbot o uso do Hipossulfito de Sódio como fixador dos processos a base de prata (O que é usado até hoje nos fixadores comerciais) e também criou conceitos que explicassem melhor o processo que Talbot havia criado, nomeando como positivo / negativo.

E embora estivessem já na época das Patentes e Direitos Autorais, Herschel nunca requereu patente de nenhum de seus inventos ao longo da vida, tendo feito tudo isso apenas pelo “ bem da ciência", o que faz dele o nosso queridinho e padroeiro do Lab Clube <3

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